Em meio ao colapso de um sistema público de saúde, encontro uma médica sonhadora.
Uma médica que acredita que é possível alterar o sistema.
Sistema que insiste em negligenciar, sistema que pune o cidadão doente.
Basta fazer uma auditoria nacional, para ver o número de erros que acontecem todos os dias em nossos hospitais.
A mesma médica que passa inúmeros exames para buscar a cura, é alvo de suspeitas e de desconfiança na recepção do posto de saúde.
Ela não é aplaudida, ela não é elogiada.
Ela gera desconfiança nos funcionários.
O comentário é o seguinte:
- ”Viu a nova médica? No primeiro dia de serviço, olha a quantidade de exames que ela passou para o mesmo paciente!”
A população não tem direito de ser examinada com exames mais complexos, por mais que nosso País é campeão em arrecadação de impostos, o leite da mamadeira de nossos políticos é muito caro.
Nós temos que morrer, para que a qualidade do leite A não seja alterada.
Ou vocês acham que uma pessoa que tem problema vascular, e problema circulatório pode ser receber autorização para uma operação, fazendo apenas um eletrocardiograma?
Infelizmente, essa médica logo receberá uma advertência.
Deus queira que essa advertência não custe seu emprego, ou acabe com seu sonho de ajudar as pessoas.
Precisamos de mais pessoas que estejam com disposição de fazer a diferença.
O Brasil não comporta mais pessoas que reclamam no conforto do sofá, vendo a novela ou um jogo de futebol.
Eu poderia citar inúmeros políticos que morreram em grandes hospitais.
Eles morreram depois que toda a tecnologia disponível fosse usada, que todos os especialistas fossem acionados e que toda a imprensa fosse comunicada, para que suas fotos fossem estampadas na primeira página de todos os jornais, como heróis que deram uma linda contribuição para todos nós.
Mas infelizmente não podemos citar todos que usaram a rede pública, e que sofreram algum ato de barbárie.
Uns saem mutilados, outros tomam remédios errados e muitos morrem na fila do atendimento.
Na rede privada isso também ocorre, mas em uma quantidade infinitamente menor.
Na rede pública a fé mantém as pessoas vivas, elas têm a esperança de um dia serem atendidas e assim serem curadas.
Temos um sistema de saúde precário, que só funciona para uma pequena elite.
Mas não podemos reclamar, porque antes de curar o pobre, devemos encher a mamadeira dos políticos.